segunda-feira, 15 de setembro de 2014

EVANGELHO DE JOÃO

O quarto evangelho é o último a ser escrito. Sua teologia é diferente dos outros. É mantida a tradição de ser João, o Discípulo Amado, seu autor. Escrito por volta dos anos 90, na cidade de Éfeso, na Ásia, tendo como públicos os cristãos. A Bíblia de Jerusalém o divide em duas partes. Antes há um prólogo (1,1-18). A primeira parte é tratada do ministério de Jesus (1,18-12,50) e a segunda é a hora de Jesus, a Páscoa do Cordeiro de Deus (13,1-20,31). O epílogo não é atribuído a João, mas a comunidade joanina que conclui seu evangelho (21,1-25). Parte de estilo de vida simples, comunidade formada pelo amor. Vê Jesus como Mestre (1,38), o Messias (1,41), o prometido por Moisés e pelos profetas (1,45), o Filho de Deus, o rei de Israel (1,49). O evangelho ressalta o afastamento da instituição judaica, representada pelo Templo de Jerusalém como lugar de morte, pois ela matou Jesus e seus seguidores. Ao mesmo tempo acolhe pagãos ao cristianismo (12,20-22).
João utiliza fontes próprias para falar de Jesus. É diferente dos evangelhos sinóticos. Jesus, em João, fala em forma de grandes discursos, talvez por ser escrito num mundo helenista. Jesus afirma ser o Filho de Deus e trás algo de novo: “EU SOU” (8,24.28.58; 13,19; 18,6). A intenção de João é recorrer à mesma imagem de Deus, quando se apresentar a Moisés (cf. Ex 3.14), exaltando a divindade de Jesus. “Eu Sou” expressa caráter redentor. Jesus fala de si como “eu sou o caminho”, “eu sou a verdade”, “eu sou a vida”, “eu sou a luz”, “eu sou a ressurreição”, “eu sou o pão”, “eu sou a água”, “eu sou a porta” (6,20.35.48.51; 8,12; 10,7.9.11.14; 11,25; 14,6; 15,1.5).
João também trabalha outro conceito novo aos evangelhos: o Lógos (1,1.14) em duas perspectivas: a primeira é a ligação do Lógos com o Pai nos Céus e a segunda é a sua encarnação, fazendo morada entre nós. Está numa visão judaica do “Filho do Homem”, daquele que vem do Céu e volta para o Céu, dando ideia de preexistência. Esta ideia está associada à literatura sapiencial. É a atribuição à sabedoria de um ser eterno, junto de Deus, participe da obra criacional. A ideia de preexistência na encarnação é concreta, pois demonstra que é um ser humano real, constituído de corpo e, portanto, histórico.
João mostra uma multidão que está à procura do Messias (1,19-28.38; 6,24.26; 7,11.31-36; 18,4.8; 20,15). Juntamente com a procura está a vinda do Messias, possibilitando o encontro de ambos. João Batista ao ver Jesus anuncia ser ele aquele de quem falara conforme Jo 1,29-34. O motivo de o Espírito repousar sobre ele (Is 11,2; 42,2; 61,1) trás a missão do Cristo de comunicá-lo aos outros, aqueles que o procuram, para realizar a profecia de Ez 36,26-27. Entretanto, só terá êxito com a glorificação, elevação do Messias à direita de Deus (7,39; cf. 20,22-23). Esta cena lhe dá a missão do “Servo do YHWH” (cf. Is 42,1) da qual o Servo é eleito pela descida do Espírito. Como Deus foi se revelando na história com Abraão, Isaac e Jacó; Jesus também faz este caminho com seus discípulos. Este caminho ambíguo, ou seja, ao mesmo tempo que Jesus vai se revelando também vai se ocultando, o segredo do mistério, pois está intimamente ligada ao pensamento judaico do ocultamento divino.

Gerson Bris Siqueira

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

EVANGELHO DE LUCAS

Lucas é o autor do terceiro evangelho e dos Atos dos Apóstolos. Obra escrita por volta dos anos 80-90, há várias hipóteses sobre o lugar que fora escrito: Alexandria, Roma, Grécia, Acaia, Beócia, Cesaréia, mas todos concordam que seus destinatários são pagãos. Sabemos que Lucas era pagão até o ano 42 quando se converteu ao cristianismo. Não conheceu Jesus Cristo pessoalmente. Foi discípulo e companheiro de Paulo nas viagens apostólicas sendo conhecido como o “médico amado” (cf. Cl 4,14; 2Tm 4,11; Fm 24; At 16,10-17; 20,5-15; 21,1-18; 27,1-28,16). Sua escrita é elegante e bem elaborada; evangelho escrito na língua koiné.
Como Mateus parte do evangelho de Marcos e da fonte Logienquelle, Q, além das fontes próprias. Tendo grande preocupação social se dedica bastante aos necessitados (7,11; 10,33; 15,11; 19,2; 24,13). Como escreve para pagãos não se preocupa em descrever o cenário judaico, da Palestina, e prefere omitir fatos que possam escandalizá-los. A Bíblia de Jerusalém propõe a divisão do evangelho do seguinte modo: há um prólogo a quem Lucas o dedica: ao “Teófilo” (1,1-4), nascimento e vida oculta de João Batista e de Jesus (1,5-2,52), preparação do ministério de Jesus (3,1-4,13), ministério de Jesus na Galiléia (4,14-9,50), a subida para Jerusalém (9,51-19,27), ministério de Jesus em Jerusalém (19,28-21,38), a paixão (22,1-23,56), após a ressurreição (24,1-53).
Lucas é um evangelista que se dedica a caminhada à Jerusalém (2,22.41-45; 4,9; 9,31.51.53; 13,22.33-35; 17,11; 18,31; 19,11.28; 21,20-24; 23,7.28; 24,13-33.47.52). Dá destaque ao Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade (1,15.35.41.67; 2,25-27; 4,1.14.18; 10,21; 11,13; 24,49). A imagem de Jesus vai aos poucos se formando à medida que vai se manifestando como o Filho de Deus encarnado. Apresenta a história da salvação (cf. 16,16) em três etapas: o tempo do Antigo Testamento (Lei e Profetas), o tempo de Jesus e o tempo da Igreja.
Lucas inicia seu evangelho falando da infância de João Batista e de Jesus (1,5-2,52). Recorre a interpretação primitiva do ungido régio-davídico (1,27.32-33), seu nascimento em Belém o faz ser “da casa e da descendência de Davi” (1,27.32-33.69; 2,4.11; 3,31; 6,3; 18,38.39; 20,41-44). Os anjos o proclamam como “Salvador, Messias e Senhor” (2,11). Diferente de Mateus, Lucas narra a genealogia de Jesus, após o batismo, que vai de José a Adão (3,23-38). O batismo também tem caráter messiânico como Marcos e Mateus e igualmente ocorre uma teofania: “o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corporal, como pomba. E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho, eu, hoje, te gerei!’” (3,21b-22). Esta cena está associada ao Rei-Messias do Sl 2,7 e não tem perspectivas do “Servo do YHWH”.
Seguindo a lógica da linha régio-davídica, na primeira aparição pública de Jesus em Nazaré (4,14-20), percebemos a consciência de Jesus de ser o Messias prometido (1,35; 2,11.26; 3,21-22; 4,41; 9,20; At 4,27; 10,38) conforme a unção do Espírito ao aplicar para si a leitura do profeta Is 61,1-2. Lucas quer, por assim dizer, salientar a atuação do Espírito na missão de Jesus em palavras e nos atos, retomando a linha profética (3,21-22; 4,1.4; 9,8-9.19-20; At 1,16; 2,25-28.31; 3,20-26). Jesus vai aos poucos se revelando como o salvador enviado por Deus (4,23; 5,17; 9,11) aos necessitados. Jesus transmite a paz e a graça de Deus (4,22; 6,31-38; 15,11-32; At 14,13; 15,11). Prova disso é quando João Batista, na prisão, manda seus discípulos a Jesus e perguntam se ele era o Cristo. A resposta de Jesus vai ao encontro das promessas da vinda do Messias (Lc 7,18-23; cf. 26,19; 35,5-6; 42,7; 61,1). Segundo, Fabry e Scholtissek, Lucas interpreta o sofrimento do Messias na boca de “todos os profetas”, “nas Escrituras” e “nos profetas e Moisés” (Lc 24,44-45).
O título de “Salvador” está numa perspectiva de salvação, vinda da descendência de Davi, pois Israel coloca nele a confiam (1,47.69.71.74; 1Tm 1,1; 2,3; 4,10; 2Tm 1,10; Tt 1,3-4; 2,10.13; 3,4.6). Colocar em Jesus este título é recorrer à tradição da septuaginta que também expressa no YHWH este caráter de salvação (Is 45,15.21-24; 1Mc 4,30). No mundo helenista várias personalidades dispunham deste título. Lucas ao escrever nesta cultura se apropria desta ideia e contrapõe com a imagem de César Augusto que também era visto como salvador. Uma criança recém-nascida é o Salvador. Entretanto, “Salvador” é incorporado na cultura salvífica judaica do Messias. Deste modo, o título tem ligação com o mundo helênico e com o mundo judeu e a mensagem tripartite do anjo aos pastores atingem gentios e judeus.

O segundo título atribuído a Jesus por Lucas é “Messias”. Vem da tradição judaica de dignidade real e concedida por Deus (2,26; 4,18; 9,20). Lucas quer passar a imagem do Cristo sofredor e daquele que morre (24-26; cf. 1Cor 15,3-5). Está associado com a imagem de “Filho do Homem” e de “Filho de Deus” (21,27; 22,30). Desde o nascimento Jesus é o Messias, perpassando toda sua vida até sua vinda (parusia). Por fim, o título de “Senhor” está vinculado ao Pai majoritariamente e a Jesus ocorrendo em duas ocasiões (2,11 e 1,43). Lucas quer chamar a atenção para a criança proclamada Salvador, Messias e Senhor em relação ao imperador romano. Esta imagem junto à cena da ressurreição remete ao Sl 110,1: Deus o constitui Senhor (Messias e Redentor).

Gerson Bris Siqueira

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O EVANGELHO DE MATEUS

O evangelho de Mateus foi o segundo evangelho a ser escrito. Utilizou o evangelho de Marcos como base, fazendo algumas adaptações, corrigindo e ampliando algumas partes. Dispunha de fontes próprias e da fonte Logienquelle, Q. Escreveu por volta dos anos 80 para as comunidades judaico-cristãs (Jerusalém, Pela, Decápole, Fenícia, Síria e Antioquia). Uma tradição do século II, com Papias (16), acredita ser o Mateus do cap. 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13 e o Levi de quem falam Mc 2,14; Lc 5,27-29, conhecido como o “publicano”. Acreditou-se na existência de um primeiro evangelho de Mateus em aramaico. É posto como o primeiro no rol pela sua abrangência, ou seja, pelo anúncio das promessas do Antigo Testamento como cumpridas em Jesus Cristo.
Sendo Mateus um grande conhecedor da Lei e dos costumes judaicos escreve seu evangelho entorno do Antigo Testamento. Percebemos nos seus escritos algumas passagens que se repetem: “quando Jesus terminou este discurso...” (7,28; 11,1; 13,53; 19,1; 26,1). Elas encerram os grandes discursos de Jesus/Mestre. Com isso, descobriu-se que o evangelho é composto de cinco partes ou “livrinhos”. A Bíblia de Jerusalém os dividem do seguinte modo: a promulgação do Reino dos Céus (3,1-7,29), a pregação do Reino dos Céus (8,1-11,1), o mistério do Reino dos Céus (11,2-13,53), a Igreja, primícias do Reino dos Céus (13,53-19,1), o advento próximo do Reino dos Céus (19,2-26,1). Esta estrutura segue a composição do Pentateuco, dos cinco livros dos Salmos e os cinco livros que compõem o Megillot (Rute, Cânticos, Lamentações, Eclesiastes e Ester). Cada livro consta de duas partes: uma narrativa e uma didática.
Diferente de Marcos, Mateus inicia seu evangelho pela genealogia de Jesus inserindo-o na história da salvação e da promessa feita a Israel. “Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (1,1). As gerações são contadas em catorze em catorze, de Abraão a Davi, de Davi ao exílio na Babilônia, do exílio na Babilônia até Cristo (1,1-17). Mateus trabalha muito com a cabala. Se somarmos as letras do nome de Davi (dwID)' temos o equivalente a catorze; isso para dizer que Jesus Cristo é três vezes mais que o rei Davi. O “Cristo” é uma atribuição a Jesus (cf. 1,1.16.18; 27,17.22). Outra consideração sobre “Jesus Cristo” se refere ao seu nascimento (1,16.19-25). O filho de Maria é “do Espírito Santo”, o significado de Yehoshua é YHWH é salvação ou “ele que salvará o seu povo de seus pecados” (1,21). Junto ao significado do nome, Mateus acrescenta uma profecia do profeta Isaías 7,14; 8,8-10. Emanuel, “Deus está conosco” (cf. 1,23; 18,19-20; 28,16-20).
Schnackenburg mostra que Mateus tinha em mente fazer como Marcos: “Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (cf. Mc1,1). Mas fica claro esta intenção ao afirmar que Jesus nasceu de Maria, sendo concebido pelo Espírito Santo, tendo verdadeira origem em Deus, Deus o chama do Egito (1,16.20; 2,15). A tentação do demônio é para testar sua filiação divina (4,3.6). Mateus quer apresentar Jesus como “Filho de Deus”. Na teofania do batismo, Jesus é o “Filho amado” (3,17). Sua autoridade é a mesma do “Filho de Deus” (7,29), a profissão de fé dos discípulos na barca (14,33), até mesmo a profissão de Pedro está ligada ao tema (16,16), os demônios o reconhecem (8,29), e a íntima relação do Filho com Deus, o Pai (11,25-27). A relação com o Pai cria a autoridade no céu e na terra (28,18).
É interessante notar que as autoridades judaicas, Satanás e os escarnecedores não conseguiram romper a união do Pai com o Filho (27,40.43; cf. Sl 22,9; Sab 2,16-18; 5,4). Toda a procura de Mateus em afirmar que Jesus é o filho de Deus tem seu cume na grande entrega ao Pai e na profissão de fé do centurião (27,50-54). O evangelista também apresenta-nos Jesus como “Servo de Deus” que cura os doentes (cf. Is 53,4; Mt 4,23; 8,17; 9,35; 12,15; 14,34-36; 15,29-31). Na verdade, o “Servo de Deus” é o “Filho de Homem” que vence o demônio possibilitando a atuação do Reino de Deus até sua vinda gloriosa (16,28; 19,28; 24,30; 25,31) e este é o “Filho de Deus” (16,13.16; 26,63).
Toda vez que Mateus utiliza o termo “Filho do Homem” está numa linguagem escatológica (13,41; 19,28; 24,30; 25,31). Seu estilo de vida provoca escândalos; sua vida está orientada para a colheita final e para a comunidade (8,20; 9,6; 11,19; 12,8; 13,37; 20,28; 25,31-46). O “Filho do Homem” é também o “Cristo” (24,29-31; 26,63). Ao ouvir falar das “obras de Cristo” (11,2), João Batista interroga sobre sua identidade. A resposta de Jesus vai ao encontro das profecias, não precisa esperar outro, Ele chegou! (Is 26,19; 29,18; 35,5-6; 42,7; 61,1-2).

Gerson Bris Siqueira


sábado, 6 de setembro de 2014

EVANGELHO DE MARCOS

O Evangelho de Marcos foi escrito por volta dos anos 70, na cidade de Roma, seus destinatários são cristãos convertidos. A Bíblia de Jerusalém divide o evangelho em cinco blocos: a preparação do ministério de Jesus (1,1-13); O ministério de Jesus na Galiléia (1,14-7,23); Viagens de Jesus fora da Galiléia (7,24-10,52); O ministério de Jesus em Jerusalém (11,1-13,37); A paixão e a ressurreição de Jesus (14,1-16-20). Os últimos versículos do capítulo dezesseis (vv.9-20) não são atribuídos a Marcos, mas é um apêndice da comunidade cristã para dar fechamento ao evangelho.
Marcos fala dos pormenores, não se preocupando com estilo literário, geográfico ou lógico. Acreditou-se, desde muito cedo, que fora o interprete de Pedro. Estas tradições são antigas: Papias (14-15), no início do século I e Justino, pelo ano 150. Muitos acreditam ser o jovem citado em 14,51-52 e em 1Pd 5,13. É identificado como João Marcos, de Jerusalém, primo de Barnabé, o companheiro de Paulo; Jesus e os discípulos se reuniam no andar de cima, provavelmente a casa de sua mãe (cf. At 12,12.25; 13,5.13; 15,37.39; Cl 4,10; 2Tm 4,11 Fm 24). Segundo Mauro Odoríssimo, Marcos não quer fazer história de Jesus, embora parta de fatos históricos. Seu objetivo é a fé, podendo ver os fatos alterados para facilitar a aceitação do Senhor; quer narrar à histórica salvífica.
O autor sagrado dividiu seu evangelho em duas partes. A primeira parte é o ministério na Galiléia (1,2-10,52) descobrimos quem é Jesus de Nazaré; o Cristo, o Rei do novo povo de Deus que culmina na profissão de fé de Pedro: “Tu és o Cristo” (8,29). A segunda parte é o ministério na Judéia (11,1-16,8) somos orientados para a morte de Jesus que culmina na profissão de fé do centurião: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus” (15,39). Se de um lado temos a profissão de fé de um discípulo e de outro de um gentio é para fazer referência ao início do evangelho que diz: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, filho de Deus” (1,1).
Quando Marcos menciona: “Evangelho de Jesus Cristo” podemos concluir que, seus destinatários tinham certa familiaridade com o nome composto, pois é um título de dignidade.  O aposto “Filho de Deus” é original da crítica textual presente nos escritos de Irineu, Ambrósio, Cromácio, Jerônimo, Agostinho e Fausto-Milevis. O objetivo do evangelho é mostrar em que sentido Jesus é o “Cristo”, o “Filho de Deus”; utiliza citações veterotestamentárias: Ex 23,20; Ml 3,1; Is 40,3. Sua pregação é em forma de anúncio. Aquelas passagens fazem parte da pregação de João Batista (cf. Mc 1,2-3). Aos poucos o evangelista vai mostrando quem é Jesus e revelando sua identidade messiânica.
Depois do batismo de Jesus, no rio Jordão, ocorre uma teofania (1,9-11). Jesus recebe o Espírito Santo que o constitui Rei e lhe dá a missão do Servo do YHWH. A voz vinda dos Céus faz referências às passagens de Sl 2,6-7; Is 42,1-4. Sendo Jesus, Rei e Servo do YHWH é “ungido”, tornando-se, por assim dizer, “Cristo” (cf. 1Sm 16,13; Sl 2,2; Is 42,1; 61,1; At 10,38). Sendo Rei, Jesus inicia sua batalha contra Satanás (1,12-13) e como Servo do YHWH ensina as multidões e expulsa os demônios (1,27.39; 2,2; 3,11.14-15; 6,2.12-13.34). O fechamento do prólogo acentua a proclamação do Evangelho, o anúncio do Reino de Deus e o chamado dos primeiros discípulos.
A primeira parte do Evangelho, Marcos dá a compreensão da messianidade de Jesus pelos acontecimentos autorizados da aproximação do Reino de Deus pelo chamado dos primeiros discípulos (1,16-20; 2,14), pela autoridade do seu ensinamento em palavras e atos (1,21-28), nas controvérsias e conversas didáticas (2,1-3,6; 3,20-35; 7,1-23; 8,14-21; 8,27-10,52), nas parábolas (4, 1-34), pelas curas e restabelecimento da criação (7,37), por fim, pelas promessas de perdão dos pecados e pela constituição dos Doze percebemos a relação entre Filho de Deus e o reinado de Deus.
Como que no centro do Evangelho temos a pergunta de Jesus: “Quem dizem as pessoas que eu sou?” (cf. Mc 8,27). É a primeira vez que Jesus faz esta pergunta, antes foram as pessoas que haviam feita (1,27; 2,7; 4,41; 6,2-3). Pedro não tem a opinião dos discípulos e diz: “Tu és o Cristo” (8,29). A ordem de silêncio é para confirmar a cena da Transfiguração (9,2-10) e mais tarde a profissão do centurião romano. Jesus quer mostrar o seu caminho dando ensinamentos particulares aos discípulos (8,27-10,52), mostrando que está disposto a servir e que devem fazer o mesmo (9,33-50-10,35-45). Este silêncio querido por Jesus é recomendado aos demônios, aos curados, aos discípulos fazendo parte do chamado “segredo messiânico”, devendo ficar oculto até a Ressurreição (9,9), pois só podem ser descobertos à luz do anúncio e da fé pascais. Neste caminho reconheceremos Jesus.
Caminhando para a segunda parte do Evangelho, Jesus assume seu calvário, missão constitutiva de sua messianidade (cf. 1,14; 2,7; 3,6). Sua entrada em Jerusalém é triunfante e com caráter messiânico (11,1-11; 2Rs 9,13; Zc 9,9-10). Percebemos a narrativa dos últimos dias de vida de Jesus. O fato que prepara sua morte é a expulsão dos cambistas do Templo (11,15-19; Zc 14,21). As autoridades tentam matá-lo, porém, têm medo das multidões (11,18; 12,12). Jesus é preso e seus discípulos saem em fuga (14,50); é apresentado a Pilatos como rei de “fantasia” (15,2.9.12.17-20). Sua morte não é vista como abandono da parte de Deus porque faz referencia a Sb 2,18 e no Dia da Páscoa, o anjo confirma a profissão de fé do centurião (16,6). Jesus Cristo, o Filho de Deus, recebe a investidura conforme Dn 7,13-14 e voltará para reunir os eleitos no Reino de Deus (13,26).

Gerson Bris Siqueira

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O novo e o velho
Com exceção da terça-feira, todos os dias salto da cama às 5h45. Às 6h00, dou uma olhada rápida nas notícias da Internet. Depois saio para a Catedral onde procuro, na oração da manhã, juntar fé e vida. Vez por outra surge um informe interessante, embora incapaz de mudar o rumo do nosso mundo sem juízo.
Como a nota, outro dia, da volta à fabricação, nos Estados Unidos, do LP (long playing record), que a meninada nem sabe o que é. Sobrevive entre nós quem prefira os antigos “bolachões” tocados na radiola, pickup, radiovitrola, toca-discos ou, simplesmente, vitrola.
Diz que o som é mais fiel que o do CD, DVD, Mp3 ou de outras invenções que desisti de acompanhar. E eu que julgava um transtorno acomodar meus 700 LP perfeitos, sem arranhão nenhum! Tive o bom senso de não me desfazer também do pickup Polyvox, da potência Akai e das caixas Celebration.
Podem considerar-me o zelador de algum museu, não ligo. Importante é que funcionam que dá gosto. Gostei de ler (DNP, 13/07/2014, Cultura, pág. D1) que Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967, é o primeiro dos 200 álbuns do Rock and Roll Hall of Fame. Tenho esse CD.
Um pouco mais, a cada dia que passa, sinto-me um papalvo a discursar para sobreviventes de outras eras. Trato de coisas que ninguém mais vê. Deixaram de existir. Ou, quem sabe, nem tenham existido realmente; eu é que sonhei com elas. Eu e uns poucos tolos iguais a mim.
Estudantes de Filosofia, em 1961, Padre Almeida e eu estivemos num encontro de seminaristas dirigido por Dom Luiz do Amaral Mousinho, arcebispo de Ribeirão Preto. O evento inaugurou o seminário construído em Brodósqui, cidade natal de Cândido Portinari.
Um prédio imenso, tinindo de novo, acolheu jovens da Filosofia e da Teologia de muitas partes do Brasil. Inclusive três caipiras do Norte do Paraná: nós e, Rinaldo Semprebom, de Londrina, já cursando Teologia. Era um tempo de grande agitação de ideias. No meio eclesiástico, tradicionalistas e progressistas sustentavam discussões candentes e intermináveis.
Pernambucano arretado e culto, dono de grande amor à Igreja, Dom Mousinho movia-se com liberdade nesse campo minado. Numa das palestras discorreu sobre dois pensadores católicos situados em campos opostos: o ultraconservador Gustavo Corção e o progressista Tristão de Athayde, pseudônimo de Alceu Amoroso Lima. Com aquela verve nordestina, encerrou o assunto matando a pau: “Nem o novo porque é novo, nem o velho porque é velho; mas a verdade porque é verdade, e o santo porque é santo”. Mais de cinquenta anos passados, não consegui esquecer. E me esforço por levar a lição à prática.
Gente existe que consagrou o tempo como critério de verdade. Só admite como válido o que acabou de sair do forno. Alguém lembra a música de Marcos Valle (1971) “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”? Pois é a canção levada ao pé da letra.
Faz sentido acatar uma pessoa, uma ideia, um modo de agir unicamente por ela (e) ser moderna (o)? Há antiguidades que continuam, por inteiro, atuais. Inclusive benéficas. Andar a pé, por exemplo. O inverso também acontece. Também se encontra quem odeia o que é moderno. Será insegurança?
A verdade está acima de tudo. Independe do nosso gosto, preferência, escolha ou simpatia. Ela impõe-se por aquilo que é em si mesma. Não porque nos garanta prazer, lucro ou prestígio social.
Pe. Orivaldo Robles

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Responder sim a Deus, tornemo-nos mensageiros da Boa-Nova, escutando a voz do Pai em nosso interior e transmitindo-a aos nossos irmãos.

João Batista diminuiu-se para Cristo aparecer, sendo uma ponte entre o Antigo e o Novo testamentos. É o maior dos profetas, pois pregou a conversão anunciando a vinda de Cristo e mostrou plena certeza de que Jesus é o Messias.

Então, somos questionados: "Você aceita preparar o caminho de Jesus onde você estiver?", pois é preciso responder sim a Deus e anunciar "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." (Jo 1,29).

Nosso Papa Francisco para este 51.º Dia Mundial de Orações pelas Vocações, escolheu, como título da sua mensagem: “Vocações, testemunho da verdade”. Segundo as palavras do Santo Padre, “nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno.” Por isso, antes de reconhecermos em cada um de nós esse testemunho, importa centrar todo o nosso coração e o nosso pensamento naquele que nos concede a graça das vocações.

Comecemos por olhar à nossa volta, para aqueles que vieram e estão sentados ao nosso lado. Revelemos admiração pela Sua obra em cada um de nós, em cada uma das nossas vidas. Gratidão por esse Amor infinito e misericordioso. 

Adoração ao Pai pelo que Ele é e por tudo o que faz em nós e através das nossas mãos. Com alegria, oremos.

Pai Santo, que a todos nos chamas:
das casas e das famílias,
das escolas e das paróquias,
dos movimentos e dos grupos,
para sermos um só corpo em Jesus Cristo
e vivermos segundo o Espírito da verdade;
faz de nós autênticos discípulos,
no Matrimônio, no Sacerdócio,
na Vida Consagrada,
na missão e no serviço,
ao encontro do outro
para unificar a nossa existência
e testemunhar a alegria
e a beleza do Evangelho.

Amem.

Evandro Ferreira
Seminarista do segundo ano de Filosofia

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cidade “indormível”

Relato a experiência minha e de muitos outros. Falo da minha cidade, mas o problema é também de outras: há noites em que é impossível dormir. Como esta. Levanto-me e vou escrever. São quatro da madrugada. Desde as duas, estive me virando na cama. Não é insônia. É o ruído que sobe da rua. Como a coisa mais normal do mundo. Vozerio e gargalhadas que furam até janela antirruído. Quem não pode comprar isolamento acústico tem que fugir para o campo? Noites de sexta e de sábado, em especial, são um suplício. Jovens (e não jovens) varam a noite conversando e rindo alto. Danem-se os panacas que tentam descansar como gente normal. Calculo o tormento dos pobres pais de crianças pequenas. “Varam a noite” não é exagero. Quem se levanta às seis da manhã ainda os vê na calçada. Latinhas e garrafas vazias foram descartadas diretamente no passeio ou na sarjeta. Ainda que perto se encontrem cestos de lixo. Para que se preocupar com isso? Nossas calçadas e ruas são tão espaçosas!
Não sou um ermitão confinado por engano na urbe. Nem defendo o replantio da antiga floresta dos ruídos de animais noctívagos. Entendo muito bem que vivemos numa cidade, não mais na selva bruta. A cada cidadão é assegurado o direito de usar os espaços públicos. Respeito a liberdade de reunião, assim como a de conversar na calçada o quanto se queira. Mas não num volume próprio de torcida de futebol. Há limites aceitos e respeitados por pessoa minimamente civilizada. Que me perdoe quem discorda, mas desprezar normas legítimas de convivência não é atitude cidadã. Cidadão reconhece aos outros o mesmo que exige para si. Mostrem-me um único ser normal que concorde com algazarra a lhe impedir o justo descanso. O sono é necessidade fundamental da natureza humana. Não existe a pretensa liberdade de incomodar o repouso alheio. Pelo menos da meia-noite às seis da manhã. O direito que alguns têm de se manterem acordados é o mesmo que os outros têm de dormir. Não posso impedir que desocupados passem a noite inteira batendo papo na rua. Mas eles, igualmente, não podem infernizar meu repouso em horas mortas da noite. Já nem digo a partir das vinte e duas, como estabelece a lei. É triste perceber que, para alguns, leis existem para serem infringidas. E para os “espertos” rirem dos tolos que as observam.
Nem sempre os artistas se limitam a conversas e cachinadas estrondosas. Há também o tosco som automotivo. Idiotices musicais de qualidade mais que discutível, golpes como de bate-estacas, composições de gosto de besouro e palavreado chulo... Às vezes, por poucos minutos. O estrago, porém, está feito. Já acordaram dez quadras em volta. E lá se vai o paspalho, estupidamente feliz, azucrinar moradores de outros cantos. Isso quando não se fazem ouvir, assim do nada, berros histéricos, palavrões cabeludos, assuada gratuita, como se a rua estivesse tomada pelo surto psicótico de algum infeliz.
A querida Maringá, que brotou da mata, abriga uns riquinhos que nada produzem, mas incomodam meio mundo. São mais broncos que os machadeiros da antiga derrubada. Os pobres trabalhadores braçais projetavam um futuro radioso para os filhos. Os pernósticos moderninhos só enxergam o próprio umbigo. Cultura não se identifica com usar carro importado, vestir roupa de grife e ocupar vaga de universidade.
A solução? Queixar-se aos órgãos competentes, muitos aconselham. Mas será que adianta?
Padre Orivaldo Robles

quarta-feira, 2 de julho de 2014

02 / Jul / 2014 09:46
O Centro Cultural Missionário (CCM) de Brasília realiza, ao longo desta semana, 29 de junho a 05 de julho, a 7ª Formação Missionária para seminaristas e jovens presbíteros (Formise). Centrado no tema “A alegria do Evangelho e a dimensão ministerial da missão”, o curso conta com a participação de 62 seminaristas e três presbíteros, diocesanos e religiosos, de diversas regiões do Brasil.
“O missionário presbítero ministro da Palavra” foi objeto de estudo nesta terça, 1º de julho, reflexão conduzida pelo assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a AnimaçãoBíblico-Catequética da CNBB, padre Décio José Walker. A abordagem teve como base, o novo modelo de iniciação à vida cristã adotada pela Igreja no Brasil, conteúdo publicado no Documento n. 97 da CNBB: “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”.
O texto procura atualizar no Brasil, a Exortação Apostólica Pós-Sinodal do papa Bento XVI, sobre a "Palavra de Deus, na vida e na missão da Igreja". Padre Décio explicou que, o Documento traz perspectivas para uma animação bíblica da Pastoral inteira. “A proposta nos leva a colocar a Palavra de Deus no centro de toda a ação evangelizadora onde, qualquer ação eclesial ou extraeclesial, seja impregnada pela mística bíblica e feita sempre a partir da Palavra”, destacou. “Quando a Palavra de Deus é colocada no centro da vida do presbítero, ela move para ações missionárias, em especial para o anúncio”, complementou.
Ao falar sobre a eficácia da Palavra de Deus, o assessor alertou para o perigo de confiar mais nos conhecimentos humanos e nos meios técnicos do que na eficácia da Palavra. Com isso “corremos o risco de nos desgastar sem produzir efeito algum”, argumentou.
Segundo padre Décio, partindo da revelação de Deus, o Documento n. 97 da CNBB, “faz uma série de sugestões, coloca metas e orientações para desencadear esse novo processo de iniciação cristã em qualquer pastoral”. Observou também, que é muito importante trabalhar essa nova visão com os seminaristas, para que, “desde já assumam essa perspectiva e provoquem a renovação na Igreja”.
Em sua análise, padre Décio mostrou que, até agora vivemos um esquema mental muito centrado nos sacramentos, em especial na Eucaristia. “Embora isso continue válido é preciso que a mesa da Palavra seja equiparada à mesa da Eucaristia que é o Cristo completo. Ele é a Palavra encarnada do Pai e aquele que se sacrifica pela salvação da humanidade. Quando acentuamos apenas a mesa da Eucaristia estamos partindo o Cristo ao meio. Mas quando unimos as duas partes, então temos um Cristo completo”.
Uma das propostas para que a mudança de perspectiva aconteça de fato é, “dar maior espaço durante a formação para disciplinas como, Pastoral Catequética onde a Palavra de Deus é vista de uma forma encarnada. Isso para não ficar apenas no estudo acadêmico da mesma. A catequese ajuda a colocar a Palavra no coração e assumi-la como caminho de espiritualidade”, observou padre Décio. “O estudo da Liturgia e Bíblia não deve ser muito acadêmico, mas integrado com elementos de Pastoral. Isso porque, ninguém abraça aquilo que não conhece”, arrematou.
Diêggo Ferreira Bento é seminarista do 3º ano de Teologia na diocese de Primavera do Leste – Paranatinga (MT), a mais nova diocese do Brasil. Para ele, o que mais chamou atenção na reflexão, foi “a importância de viver a integridade da Palavra de Deus com aquilo que se prega”. Para ele, “além de sermos fiéis há a necessidade também, de nos alimentarmos da Palavra de Deus que nos fortalece e nos dá ânimo”.
O seminarista Redentorista, Jonas Luiz de Pádua, que é natural de Inconfidentes (MG), mas cursa o 3º ano de Filosofia em Campinas (SP), está motivado com a formação e já planeja partilhar o conteúdo com os colegas. “O que o padre Décio veio trazer hoje é uma inspiração para entrar no universo da Palavra de Deus, sobretudo, quando vimos que um bom praticante é um bom ouvinte da Palavra. Somente pratica quem ouve. Isso nos motiva a escutar e ir ao encontro da Palavra, seja na Bíblia, seja nas pessoas, a partir da troca de experiências nos grupos”, comenta o jovem.
No restante da programação o curso refletirá ainda sobre o missionário presbítero ministro da Liturgia, da Caridade e ministro Ad Gentes além-fronteiras. A formação é promovida em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e as Pontifícias Obras Missionárias (POM).

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Três seminaristas da Arquidiocese de Maringá - 2º ano de teologia - participam do curso em Brasília. Gerson Bris Siqueira, José Roberto Vieira e Nailson Bacon.

Formação Missionária para Seminaristas e Presbíteros destaca dimensão ministerial da Missão





Recentes documentos da Igreja e pronunciamentos do papa Francisco vêm insistindo para colocar todas as atividades de evangelização em chave missionária. Nessa tarefa, os presbíteros são agentes fundamentais. Por isso, o Centro Cultural Missionário (CCM) de Brasília realiza a 7ª Formação Missionária para seminaristas e jovens presbíteros (Formise). O curso que teve início na noite deste domingo, 29, tem como tema: “A alegria do Evangelho e a dimensão ministerial da missão”, e conta com a participação de 62 seminaristas, diocesanos e religiosos, e três presbíteros de diversas regiões do Brasil.

Redescobrir a missão à luz do ministério ordenado, aprimorar o estudo da teologia e da espiritualidade da missão e fortalecer a consciência missionária num horizonte universal, são alguns dos objetivos do curso. Visa também, intensificar a articulação dos seminaristas através dos Conselhos Missionários de Seminários (Comise).

A programação inclui reflexões sobre a dimensão ministerial da Missão, o missionário presbítero ministro da Palavra, da Liturgia, da caridade e ministro Ad Gentes além-fronteiras.

Na manhã desta segunda, 30, dom Pedro Brito Guimarães, arcebispo de Palmas (TO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, abriu o estudo com o tema: “viver a Missão presbiteral anunciando a alegria do Evangelho”.

Após destacar a importância da Palavra de Deus na vida do discípulo de Jesus Cristo, o bispo falou do presbítero como homem da alegria e da esperança. “O presbítero, como discípulo de Jesus, tem a sagrada obrigação de irradiar para o mundo a alegria do Cristo ressuscitado. A alegria deve ser o distintivo de toda a vida do presbítero: quando anuncia o Evangelho, quando trabalha no atendimento ao povo, quando visita as famílias, quando celebra a Eucaristia e administra os demais sacramentos”, argumentou. “Quanto mais o presbítero se doa maior é a sua alegria”.

Segundo dom Pedro Brito, “o segredo da vida presbiteral está em seguir e servir a Jesus, encantado por Ele. É esta motivação que dá sentido a uma verdadeira vocação. E a manifestação deste encantamento é a alegria de ser missionário presbítero. A perseverança de um presbítero na missão depende da contínua adesão ao estilo de vida missionária de Jesus”, sublinhou. Ele explicou ainda, que o encantamento gera perseverança e o desencantamento faz a pessoa desistir.

Ao falar da alegria na vida do presbítero, o arcebispo de Palmas recordou o documento conciliar Gaudium et Spes, que logo no início afirma: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1). Em seguida, disse que o Documento de Aparecida fala 39 vezes da alegria: alegria de crer, da fé, de servir, de evangelizar de viver e de ser discípulo-missionário de Jesus. A mesma temática é retomada pelo papa Francisco na Exortação Apostólica sobre a Alegria do Evangelho, quando diz: “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário” (EG 80); e “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização” (EG 82). Referindo-se a essas expressões, dom Pedro perguntou: “quem está roubando a alegria e o entusiasmo?” A questão foi debatida durante o trabalho em grupos que ocupou a segunda parte da tarde.

Para o seminarista Ademir Brito Calonga, da diocese de Três Lagoas (MS), o curso é importante “para aprofundar o espírito missionário e colocar em prática a missão na diocese”. Ele explica também, que os seminaristas estão envolvidos na preparação do 3º Congresso Missionário do Regional Oeste 1 (Mato Grosso do Sul). Sobre o tema, Ademir destaca a necessidade do “gosto por Cristo ressuscitado para depois sair em missão sendo um espelho para o povo”.

Carlos Souza Neves, da diocese de Formosa (GO), cursa o 1º ano de Teologia no seminário Nossa Senhora de Fátima em Brasília (DF) e se inscreveu no curso motivado por um colega. “Estou me preparando para assumir a coordenação do Conselho Missionário do nosso Seminário. Queremos sair da missão ad intra para a missão ad extra. Vim para colher novas ideias para poder ir além das paróquias onde já fazemos pastoral”, relatou. Com esta formação, ele espera reestruturar o Comise.

O secretário executivo do CCM, padre Estêvão Raschietti, explica que “a iniciativa do curso surge como um estímulo para que aconteça efetivamente uma formação missionária mais aprofundada nos seminários do Brasil, em vista de realizar o 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas previsto para julho de 2015”.

A formação é promovida em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e as Pontifícias Obras Missionárias (POM), e se estende até o dia 5 de julho.

Pe. Jaime C. Patias