quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Divina Beleza Humana

Conta uma história que um grande escultor quis fazer seu auto-retrato num pedaço de madeira. Sem saber como começar, pediu inspiração a Deus e, sem conseguir ouvi-lo, teve um sonho: sonhou que era um lindo anjo. Mesmo sem achar que era assim tão bom, o artista pôs-se a elaborar sua obra. Porém, a cada golpe do formão ficava mais decepcionado, pois acabava por esbarrar em algum canto e modificava a obra que já estava perfeita em seu pensamento. Ainda assim, não desistiu e foi até o fim. Olhou um tanto decepcionado para sua escultura ao perceber que já não era um anjo que esculpira, mas um simples homem. Passou, então, a contemplar com mais calma a figura e percebeu que já vira aquele rosto antes (e não era o seu). Viu que se tratava do rosto de Jesus Cristo.

Essa historinha pode nos ajudar a refletir sobre nossos anseios de santidade. Às vezes, projetamos alto demais nossa auto-imagem, por isso nos decepcionamos tantas vezes conosco mesmo, já que erramos tanto. Precisamos nos dar conta de que não somos anjos imaculados. Subir uma montanha supõe pisar primeiro no sopé. Somos humanos frágeis, necessitados de Deus, que precisam de amor e cuidado. Somos um pedaço de madeira bruto a ser esculpido, precisamos primeiro ouvir a Deus, a fim de que nos mostre como Ele quer que sejamos e, a partir daí, deixar que o próprio formão do Espírito vá modelando em nós o rosto de Jesus.

Jesus, o Filho de Deus, se fez homem como nós, sem pecado, para nos dar uma linda imagem humana. O ser humano pode ser cada vez mais lindo a medida em que for mais parecido com esse perfeito homem, Jesus, e sempre que se der conta de que suas quedas, seus erros na modelagem, podem também ajudar-lhe a formar uma figura bonita no final, se ele se deixar modelar. O Filho de Deus tem um rosto humano, não é um anjo, é maior! Ele deu ao nosso rosto humano sua beleza divina!

Rodrigo Gutierrez Stabel
Seminarista 3º ano de Teologia

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Carta do Papa Bento XVI aos Seminaristas

Queridos Seminaristas,

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta «nova Alemanha» estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objecções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nossa Senhora Aparecida: uma história de fé

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, rogai por nós!

Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma. A história foi primeiramente registrada pelo Padre José Alves Vilela em 1743 e pelo Padre João de Morais e Aguiar em 1757, registro que se encontra no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá.

A Pescaria Milagrosa
A sua história tem o seu início em meados de 1717, quando chegou a Guaratinguetá a notícia de que o conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, governador da então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, iria passar pela povoação a caminho de Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto), em Minas Gerais.

Desejosos de obsequiá-lo com o melhor pescado que obtivessem, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves lançaram as suas redes no rio Paraíba do Sul. Depois de muitas tentativas infrutíferas, descendo o curso do rio chegaram a Porto Itaguaçu, a 12 de outubro. Já sem esperança, João Alves lançou a sua rede nas águas e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Em nova tentativa apanhou a cabeça da imagem. Envolveram o achado em um lenço. Daí em diante, os peixes chegaram em abundância para os três humildes pescadores.

Início da Devoção
Durante quinze anos a imagem permaneceu na residência de Filipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para orar. A devoção foi crescendo entre o povo da região e muitas graças foram alcançadas por aqueles que oravam diante da imagem. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil. Diversas vezes as pessoas que à noite faziam diante dela as suas orações, viam luzes de repente apagadas e depois de um pouco reacendidas sem nenhuma intervenção humana. Logo, já não eram somente os pescadores os que vinham rezar diante da imagem, mas também muitas outras pessoas das vizinhanças. A família construiu um oratório no Porto de Itaguaçu, que logo se mostrou pequeno.