sexta-feira, 15 de junho de 2012

ORDENAÇÃO PRESBITERAL - DIÁCONO RODRIGO GUTIERREZ STABEL



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MENSAGEM AOS PRESBÍTEROS DO BRASIL

"SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME" (Mt 6,9)



Amados de Deus, irmãos presbíteros do Brasil! Jesus rezou, ensinou a rezar e pediu que rezássemos também. Tanto assim que a oração que mais reza o católico é o Pai Nosso, chamado popularmente de: “a oração que o Senhor nos ensinou”. O Pai Nosso é uma oração tipicamente cristã. É uma das suas petições que colocamos como tema desta mensagem, dirigida a vós, presbíteros do Brasil, por conta da Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, a ser celebrada no dia 15 de junho, dia do Sagrado Coração de Jesus.

Jesus também pediu que fôssemos misericordiosos (Lc 6,36) e perfeitos como Ele e o Pai são (Mt 5,48). “Como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: sede santos, porque eu sou santo” (1Pd 1,16).

Caros presbíteros, na linguagem bíblica, o nome identifica a pessoa. O nome de Deus representa o próprio Deus. Santo é, portanto, o atributo e a definição do próprio Deus. Deus é o Santo, três vezes Santo. Ele é o Santo por excelência: Santo, somente Santo e totalmente Santo é Deus Pai. Santo, somente Santo e totalmente Santo é o Espírito Santo. Santo, somente Santo e totalmente Santo é Jesus que, além do mais, é fonte de toda santidade. A santidade é a totalidade dos dons e carismas do Espírito. É a plenitude do amor, da fé, da graça e dos outros bens da salvação. A santidade é também a vontade e o desejo de Deus (1Ts 4,3) para conosco. Desta sua santidade todos nós participamos.

A nossa vocação é para a santidade. A nossa missão é manifestar a santidade de Deus aqui na terra. Zacarias, sacerdote e pai de João Batista, após o mutismo, por crise de fé, rezou a seguinte oração: “... de nos conceder que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça, em sua presença, enquanto perdurarem nossos dias” (Lc 1,74-75). Por duvidar das promessas divinas, Zacarias ficou mudo. Diante de Deus, as pessoas, as palavras, as objeções e as resistências humanas calam-se, emudecem, silenciam. Deus impõe silêncio às coisas deste mundo. A obra de Deus exige o mutismo do silêncio, da adoração e da oração. Diante de Deus convém o silêncio, o louvor, a adoração. Zacarias, sentindo a presença de Deus, rezou e cantou. A santidade e a justiça são para nós, sacerdotes, missão de cada dia. Enquanto perdurarem nossos dias, somos chamados a ser santos, a viver e a manifestar a santidade e a justiça de Deus, todos os dias e em todas as ações pastorais e sociais.

Caríssimos, o Beato João Paulo II, na conclusão do jubileu do ano 2.000, pediu que coloquemos a “santidade” em todo projeto pastoral: “em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade” (NMI 30). Colocamos? Obedecemos? Por que sim? Por que não?

Os senhores sabem que nós os amamos: porque os senhores são forças vivas da Igreja; colunas vertebrais; pedras preciosas; estacas de sustentação das comunidades eclesiais; faces mais visíveis da Igreja; portas de entradas e, algumas vezes, até mesmo da saída de pessoas da Igreja. Os senhores possuem o poder de convocação e de atração. Façam uso destes poderes, lembrados do que disse o cardeal Cláudio Hummes: “a Igreja caminha com os pés dos padres”.

Por isto queremos dizer, mais uma vez, que nós os amamos, mais do que os outros (Jo 21,15); somos solidários convosco; sorrimos com vossas alegrias; sofremos com vossos sofrimentos; sentimos os mesmos sentimentos dos senhores; choramos com vossas dores; carregamos as mesmas cruzes que os senhores carregam; somos discípulos missionários de Jesus Cristo, como os senhores; pertencemos e servimos à mesma Igreja à qual os senhores pertencem e servem; enfim, somos irmãos... Somos um só corpo, na Igreja. Como num corpo em que cada um tem a sua missão, na missão da Igreja os senhores exercem a melhor parte, como Maria aos pés de Jesus (Lc 1,72).

Caríssimos irmãos, vós que rezais todos os dias do ano por nós, agora chegou a nossa vez de rezarmos por vós. A Igreja instituiu esta Jornada Mundial de Oração pela vossa santificação exatamente por crer no poder da oração e saber da necessidade que temos de sermos santos. Para isto convocamos todas as comunidades, pastorais, associações, novas comunidades, os movimentos, organismos e serviços, as forças vivas eclesiais a se unirem, em oração, neste dia 15 de junho, pela nossa conversão e santificação.

Permiti-nos, terminar esta simples mensagem, cantando esta canção que fizemos a pedido de um padre, que
ia completar 50 anos de ordenação sacerdotal:

Hoje minh’alma decanta, bendiz e louva o Senhor.
Por tantas coisas bonitas que Ele fez em meu favor.
Pois, desde o seio materno eu escutei seu chamado,
E quanto mais eu crescia, mais Ele estava ao meu lado.

E neste cinqüentenário (aniversário), marco extraordinário
Na vida de um operário do teu roçado, Senhor
Quero fazer a memória daquele dia de glória
Quando o Senhor da história me ungiu e me enviou.

E assim me fiz sacerdote, profeta itinerante.
E desde que disse “sim” não sosseguei um instante.
No coração do teu povo a minha tenda armei,
Remei, com fé e coragem, o barco da tua grei.

A tua santa palavra com minha vida anunciei,
Teus sacramentos de vida com gratidão celebrei.
Sede e fome senti, mas por amar tua lei,
Renunciei a mim mesmo e a tua cruz carreguei.

Hoje repasso os anos desde que dei o meu sim,
Posso dizer piamente nunca esqueceste de mim.
Ouro e prata não tenho, mas o que tenho te dou:
Um coração por inteiro, pobre, mas rico de amor.

Bom dia de oração pela santificação dos sacerdotes.
Na caridade de Cristo, Bom Pastor, nossas orações,


Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo de Palmas – TO
Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada
CNP – Comissão Nacional dos Presbíteros