quinta-feira, 31 de julho de 2014

O novo e o velho
Com exceção da terça-feira, todos os dias salto da cama às 5h45. Às 6h00, dou uma olhada rápida nas notícias da Internet. Depois saio para a Catedral onde procuro, na oração da manhã, juntar fé e vida. Vez por outra surge um informe interessante, embora incapaz de mudar o rumo do nosso mundo sem juízo.
Como a nota, outro dia, da volta à fabricação, nos Estados Unidos, do LP (long playing record), que a meninada nem sabe o que é. Sobrevive entre nós quem prefira os antigos “bolachões” tocados na radiola, pickup, radiovitrola, toca-discos ou, simplesmente, vitrola.
Diz que o som é mais fiel que o do CD, DVD, Mp3 ou de outras invenções que desisti de acompanhar. E eu que julgava um transtorno acomodar meus 700 LP perfeitos, sem arranhão nenhum! Tive o bom senso de não me desfazer também do pickup Polyvox, da potência Akai e das caixas Celebration.
Podem considerar-me o zelador de algum museu, não ligo. Importante é que funcionam que dá gosto. Gostei de ler (DNP, 13/07/2014, Cultura, pág. D1) que Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967, é o primeiro dos 200 álbuns do Rock and Roll Hall of Fame. Tenho esse CD.
Um pouco mais, a cada dia que passa, sinto-me um papalvo a discursar para sobreviventes de outras eras. Trato de coisas que ninguém mais vê. Deixaram de existir. Ou, quem sabe, nem tenham existido realmente; eu é que sonhei com elas. Eu e uns poucos tolos iguais a mim.
Estudantes de Filosofia, em 1961, Padre Almeida e eu estivemos num encontro de seminaristas dirigido por Dom Luiz do Amaral Mousinho, arcebispo de Ribeirão Preto. O evento inaugurou o seminário construído em Brodósqui, cidade natal de Cândido Portinari.
Um prédio imenso, tinindo de novo, acolheu jovens da Filosofia e da Teologia de muitas partes do Brasil. Inclusive três caipiras do Norte do Paraná: nós e, Rinaldo Semprebom, de Londrina, já cursando Teologia. Era um tempo de grande agitação de ideias. No meio eclesiástico, tradicionalistas e progressistas sustentavam discussões candentes e intermináveis.
Pernambucano arretado e culto, dono de grande amor à Igreja, Dom Mousinho movia-se com liberdade nesse campo minado. Numa das palestras discorreu sobre dois pensadores católicos situados em campos opostos: o ultraconservador Gustavo Corção e o progressista Tristão de Athayde, pseudônimo de Alceu Amoroso Lima. Com aquela verve nordestina, encerrou o assunto matando a pau: “Nem o novo porque é novo, nem o velho porque é velho; mas a verdade porque é verdade, e o santo porque é santo”. Mais de cinquenta anos passados, não consegui esquecer. E me esforço por levar a lição à prática.
Gente existe que consagrou o tempo como critério de verdade. Só admite como válido o que acabou de sair do forno. Alguém lembra a música de Marcos Valle (1971) “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”? Pois é a canção levada ao pé da letra.
Faz sentido acatar uma pessoa, uma ideia, um modo de agir unicamente por ela (e) ser moderna (o)? Há antiguidades que continuam, por inteiro, atuais. Inclusive benéficas. Andar a pé, por exemplo. O inverso também acontece. Também se encontra quem odeia o que é moderno. Será insegurança?
A verdade está acima de tudo. Independe do nosso gosto, preferência, escolha ou simpatia. Ela impõe-se por aquilo que é em si mesma. Não porque nos garanta prazer, lucro ou prestígio social.
Pe. Orivaldo Robles

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Responder sim a Deus, tornemo-nos mensageiros da Boa-Nova, escutando a voz do Pai em nosso interior e transmitindo-a aos nossos irmãos.

João Batista diminuiu-se para Cristo aparecer, sendo uma ponte entre o Antigo e o Novo testamentos. É o maior dos profetas, pois pregou a conversão anunciando a vinda de Cristo e mostrou plena certeza de que Jesus é o Messias.

Então, somos questionados: "Você aceita preparar o caminho de Jesus onde você estiver?", pois é preciso responder sim a Deus e anunciar "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." (Jo 1,29).

Nosso Papa Francisco para este 51.º Dia Mundial de Orações pelas Vocações, escolheu, como título da sua mensagem: “Vocações, testemunho da verdade”. Segundo as palavras do Santo Padre, “nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno.” Por isso, antes de reconhecermos em cada um de nós esse testemunho, importa centrar todo o nosso coração e o nosso pensamento naquele que nos concede a graça das vocações.

Comecemos por olhar à nossa volta, para aqueles que vieram e estão sentados ao nosso lado. Revelemos admiração pela Sua obra em cada um de nós, em cada uma das nossas vidas. Gratidão por esse Amor infinito e misericordioso. 

Adoração ao Pai pelo que Ele é e por tudo o que faz em nós e através das nossas mãos. Com alegria, oremos.

Pai Santo, que a todos nos chamas:
das casas e das famílias,
das escolas e das paróquias,
dos movimentos e dos grupos,
para sermos um só corpo em Jesus Cristo
e vivermos segundo o Espírito da verdade;
faz de nós autênticos discípulos,
no Matrimônio, no Sacerdócio,
na Vida Consagrada,
na missão e no serviço,
ao encontro do outro
para unificar a nossa existência
e testemunhar a alegria
e a beleza do Evangelho.

Amem.

Evandro Ferreira
Seminarista do segundo ano de Filosofia

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cidade “indormível”

Relato a experiência minha e de muitos outros. Falo da minha cidade, mas o problema é também de outras: há noites em que é impossível dormir. Como esta. Levanto-me e vou escrever. São quatro da madrugada. Desde as duas, estive me virando na cama. Não é insônia. É o ruído que sobe da rua. Como a coisa mais normal do mundo. Vozerio e gargalhadas que furam até janela antirruído. Quem não pode comprar isolamento acústico tem que fugir para o campo? Noites de sexta e de sábado, em especial, são um suplício. Jovens (e não jovens) varam a noite conversando e rindo alto. Danem-se os panacas que tentam descansar como gente normal. Calculo o tormento dos pobres pais de crianças pequenas. “Varam a noite” não é exagero. Quem se levanta às seis da manhã ainda os vê na calçada. Latinhas e garrafas vazias foram descartadas diretamente no passeio ou na sarjeta. Ainda que perto se encontrem cestos de lixo. Para que se preocupar com isso? Nossas calçadas e ruas são tão espaçosas!
Não sou um ermitão confinado por engano na urbe. Nem defendo o replantio da antiga floresta dos ruídos de animais noctívagos. Entendo muito bem que vivemos numa cidade, não mais na selva bruta. A cada cidadão é assegurado o direito de usar os espaços públicos. Respeito a liberdade de reunião, assim como a de conversar na calçada o quanto se queira. Mas não num volume próprio de torcida de futebol. Há limites aceitos e respeitados por pessoa minimamente civilizada. Que me perdoe quem discorda, mas desprezar normas legítimas de convivência não é atitude cidadã. Cidadão reconhece aos outros o mesmo que exige para si. Mostrem-me um único ser normal que concorde com algazarra a lhe impedir o justo descanso. O sono é necessidade fundamental da natureza humana. Não existe a pretensa liberdade de incomodar o repouso alheio. Pelo menos da meia-noite às seis da manhã. O direito que alguns têm de se manterem acordados é o mesmo que os outros têm de dormir. Não posso impedir que desocupados passem a noite inteira batendo papo na rua. Mas eles, igualmente, não podem infernizar meu repouso em horas mortas da noite. Já nem digo a partir das vinte e duas, como estabelece a lei. É triste perceber que, para alguns, leis existem para serem infringidas. E para os “espertos” rirem dos tolos que as observam.
Nem sempre os artistas se limitam a conversas e cachinadas estrondosas. Há também o tosco som automotivo. Idiotices musicais de qualidade mais que discutível, golpes como de bate-estacas, composições de gosto de besouro e palavreado chulo... Às vezes, por poucos minutos. O estrago, porém, está feito. Já acordaram dez quadras em volta. E lá se vai o paspalho, estupidamente feliz, azucrinar moradores de outros cantos. Isso quando não se fazem ouvir, assim do nada, berros histéricos, palavrões cabeludos, assuada gratuita, como se a rua estivesse tomada pelo surto psicótico de algum infeliz.
A querida Maringá, que brotou da mata, abriga uns riquinhos que nada produzem, mas incomodam meio mundo. São mais broncos que os machadeiros da antiga derrubada. Os pobres trabalhadores braçais projetavam um futuro radioso para os filhos. Os pernósticos moderninhos só enxergam o próprio umbigo. Cultura não se identifica com usar carro importado, vestir roupa de grife e ocupar vaga de universidade.
A solução? Queixar-se aos órgãos competentes, muitos aconselham. Mas será que adianta?
Padre Orivaldo Robles

quarta-feira, 2 de julho de 2014

02 / Jul / 2014 09:46
O Centro Cultural Missionário (CCM) de Brasília realiza, ao longo desta semana, 29 de junho a 05 de julho, a 7ª Formação Missionária para seminaristas e jovens presbíteros (Formise). Centrado no tema “A alegria do Evangelho e a dimensão ministerial da missão”, o curso conta com a participação de 62 seminaristas e três presbíteros, diocesanos e religiosos, de diversas regiões do Brasil.
“O missionário presbítero ministro da Palavra” foi objeto de estudo nesta terça, 1º de julho, reflexão conduzida pelo assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a AnimaçãoBíblico-Catequética da CNBB, padre Décio José Walker. A abordagem teve como base, o novo modelo de iniciação à vida cristã adotada pela Igreja no Brasil, conteúdo publicado no Documento n. 97 da CNBB: “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”.
O texto procura atualizar no Brasil, a Exortação Apostólica Pós-Sinodal do papa Bento XVI, sobre a "Palavra de Deus, na vida e na missão da Igreja". Padre Décio explicou que, o Documento traz perspectivas para uma animação bíblica da Pastoral inteira. “A proposta nos leva a colocar a Palavra de Deus no centro de toda a ação evangelizadora onde, qualquer ação eclesial ou extraeclesial, seja impregnada pela mística bíblica e feita sempre a partir da Palavra”, destacou. “Quando a Palavra de Deus é colocada no centro da vida do presbítero, ela move para ações missionárias, em especial para o anúncio”, complementou.
Ao falar sobre a eficácia da Palavra de Deus, o assessor alertou para o perigo de confiar mais nos conhecimentos humanos e nos meios técnicos do que na eficácia da Palavra. Com isso “corremos o risco de nos desgastar sem produzir efeito algum”, argumentou.
Segundo padre Décio, partindo da revelação de Deus, o Documento n. 97 da CNBB, “faz uma série de sugestões, coloca metas e orientações para desencadear esse novo processo de iniciação cristã em qualquer pastoral”. Observou também, que é muito importante trabalhar essa nova visão com os seminaristas, para que, “desde já assumam essa perspectiva e provoquem a renovação na Igreja”.
Em sua análise, padre Décio mostrou que, até agora vivemos um esquema mental muito centrado nos sacramentos, em especial na Eucaristia. “Embora isso continue válido é preciso que a mesa da Palavra seja equiparada à mesa da Eucaristia que é o Cristo completo. Ele é a Palavra encarnada do Pai e aquele que se sacrifica pela salvação da humanidade. Quando acentuamos apenas a mesa da Eucaristia estamos partindo o Cristo ao meio. Mas quando unimos as duas partes, então temos um Cristo completo”.
Uma das propostas para que a mudança de perspectiva aconteça de fato é, “dar maior espaço durante a formação para disciplinas como, Pastoral Catequética onde a Palavra de Deus é vista de uma forma encarnada. Isso para não ficar apenas no estudo acadêmico da mesma. A catequese ajuda a colocar a Palavra no coração e assumi-la como caminho de espiritualidade”, observou padre Décio. “O estudo da Liturgia e Bíblia não deve ser muito acadêmico, mas integrado com elementos de Pastoral. Isso porque, ninguém abraça aquilo que não conhece”, arrematou.
Diêggo Ferreira Bento é seminarista do 3º ano de Teologia na diocese de Primavera do Leste – Paranatinga (MT), a mais nova diocese do Brasil. Para ele, o que mais chamou atenção na reflexão, foi “a importância de viver a integridade da Palavra de Deus com aquilo que se prega”. Para ele, “além de sermos fiéis há a necessidade também, de nos alimentarmos da Palavra de Deus que nos fortalece e nos dá ânimo”.
O seminarista Redentorista, Jonas Luiz de Pádua, que é natural de Inconfidentes (MG), mas cursa o 3º ano de Filosofia em Campinas (SP), está motivado com a formação e já planeja partilhar o conteúdo com os colegas. “O que o padre Décio veio trazer hoje é uma inspiração para entrar no universo da Palavra de Deus, sobretudo, quando vimos que um bom praticante é um bom ouvinte da Palavra. Somente pratica quem ouve. Isso nos motiva a escutar e ir ao encontro da Palavra, seja na Bíblia, seja nas pessoas, a partir da troca de experiências nos grupos”, comenta o jovem.
No restante da programação o curso refletirá ainda sobre o missionário presbítero ministro da Liturgia, da Caridade e ministro Ad Gentes além-fronteiras. A formação é promovida em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e as Pontifícias Obras Missionárias (POM).