segunda-feira, 15 de setembro de 2014

EVANGELHO DE JOÃO

O quarto evangelho é o último a ser escrito. Sua teologia é diferente dos outros. É mantida a tradição de ser João, o Discípulo Amado, seu autor. Escrito por volta dos anos 90, na cidade de Éfeso, na Ásia, tendo como públicos os cristãos. A Bíblia de Jerusalém o divide em duas partes. Antes há um prólogo (1,1-18). A primeira parte é tratada do ministério de Jesus (1,18-12,50) e a segunda é a hora de Jesus, a Páscoa do Cordeiro de Deus (13,1-20,31). O epílogo não é atribuído a João, mas a comunidade joanina que conclui seu evangelho (21,1-25). Parte de estilo de vida simples, comunidade formada pelo amor. Vê Jesus como Mestre (1,38), o Messias (1,41), o prometido por Moisés e pelos profetas (1,45), o Filho de Deus, o rei de Israel (1,49). O evangelho ressalta o afastamento da instituição judaica, representada pelo Templo de Jerusalém como lugar de morte, pois ela matou Jesus e seus seguidores. Ao mesmo tempo acolhe pagãos ao cristianismo (12,20-22).
João utiliza fontes próprias para falar de Jesus. É diferente dos evangelhos sinóticos. Jesus, em João, fala em forma de grandes discursos, talvez por ser escrito num mundo helenista. Jesus afirma ser o Filho de Deus e trás algo de novo: “EU SOU” (8,24.28.58; 13,19; 18,6). A intenção de João é recorrer à mesma imagem de Deus, quando se apresentar a Moisés (cf. Ex 3.14), exaltando a divindade de Jesus. “Eu Sou” expressa caráter redentor. Jesus fala de si como “eu sou o caminho”, “eu sou a verdade”, “eu sou a vida”, “eu sou a luz”, “eu sou a ressurreição”, “eu sou o pão”, “eu sou a água”, “eu sou a porta” (6,20.35.48.51; 8,12; 10,7.9.11.14; 11,25; 14,6; 15,1.5).
João também trabalha outro conceito novo aos evangelhos: o Lógos (1,1.14) em duas perspectivas: a primeira é a ligação do Lógos com o Pai nos Céus e a segunda é a sua encarnação, fazendo morada entre nós. Está numa visão judaica do “Filho do Homem”, daquele que vem do Céu e volta para o Céu, dando ideia de preexistência. Esta ideia está associada à literatura sapiencial. É a atribuição à sabedoria de um ser eterno, junto de Deus, participe da obra criacional. A ideia de preexistência na encarnação é concreta, pois demonstra que é um ser humano real, constituído de corpo e, portanto, histórico.
João mostra uma multidão que está à procura do Messias (1,19-28.38; 6,24.26; 7,11.31-36; 18,4.8; 20,15). Juntamente com a procura está a vinda do Messias, possibilitando o encontro de ambos. João Batista ao ver Jesus anuncia ser ele aquele de quem falara conforme Jo 1,29-34. O motivo de o Espírito repousar sobre ele (Is 11,2; 42,2; 61,1) trás a missão do Cristo de comunicá-lo aos outros, aqueles que o procuram, para realizar a profecia de Ez 36,26-27. Entretanto, só terá êxito com a glorificação, elevação do Messias à direita de Deus (7,39; cf. 20,22-23). Esta cena lhe dá a missão do “Servo do YHWH” (cf. Is 42,1) da qual o Servo é eleito pela descida do Espírito. Como Deus foi se revelando na história com Abraão, Isaac e Jacó; Jesus também faz este caminho com seus discípulos. Este caminho ambíguo, ou seja, ao mesmo tempo que Jesus vai se revelando também vai se ocultando, o segredo do mistério, pois está intimamente ligada ao pensamento judaico do ocultamento divino.

Gerson Bris Siqueira

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